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Entre ortodoxos e heteredoxos

>> quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ao ingressar na faculdade de economia nos deparamos com enormes diferenças entre as linhas de pensamento, a ciência econômica por se tratar de uma ciência social aplicada apresenta uma série de respostas para a mesma pergunta, diferentemente das ciências exatas. Isso permite que a academia seja rodeada de correntes das mais diversas escolas de pensamento, gerando choques de visões. Primeiramente é importante destacar as principais escolas do pensamento econômico: clássicos, neoclássicos, keynesianos, novos keynesianos, monetaristas, austríacos entre outros.

Assim, para todo tema econômico há pelo menos duas opiniões divergentes. Como diz aquela piada sobre economistas “Se você colocar dois economistas em uma sala e pedir sugestões sobre um dado assunto, você terá pelo menos três opiniões distintas”. Para a inflação, por exemplo, um dos temas mais importantes da economia brasileira nas últimas décadas, há uma variedade de explicações. Se a inflação de hoje é meramente o resultado da inflação de ontem, o quê explica esta? Por que são altos os juros no Brasil? O que causa o crescimento econômico? Por que alguns países são ricos e outros são tão pobres? Perguntas para as quais existe uma grande variedade de respostas.

Ampliando o entendimento do caso podemos afirmar que existiriam dois grandes grupos de economistas: os ortodoxos, que seriam aqueles que acreditam que o livre mercado seria capaz de resolver os reais problemas da nossa sociedade, e os economistas heterodoxos – em parte - pensam que o Estado deve atuar de forma mais direta, para os últimos o Estado seria um importante indutor da economia, onde através do planejamento estatal seriam traçadas políticas que visassem não só o crescimento, mas também o desenvolvimento econômico.

Recorrendo ao dicionário, ortodoxia são as doutrinas primeiras, as ditas “verdadeiras”, é comum na academia denominar de "Ortodoxia" as correntes predominantes ao longo de todo o desenvolvimento da ciência econômica (Economia Política Clássica, Escola Neoclássica, Síntese Neoclássica da Teoria Geral Keynesiana, Monetarismo e Novo-Clássico), também conhecida como o mainstream da economia, defendida pelos grandes centros acadêmicos, e "heterodoxia" as correntes de oposição, são as doutrinas seguintes, aquelas discordam da ortodoxia sendo os principais exemplos os keynesianos.

O pensamento ortodoxo segue a linha de criação dos famosos modelos, onde se tenta simplificar a realidade, esta metodologia é considerada a forma mais didática de se explicar o funcionamento da economia. Assim para eles a pesquisa econômica deveria ser pautada na elaboração de modelos que expliquem a realidade. Esta corrente foi a principal responsável por inserir a linguagem matemática na economia, levando a um grande avanço no estudo desta ciência. Assim, entre outras coisas, eles defendem a neutralidade da moeda e a tendência natural ao equilíbrio econômico em pleno emprego. Para estes existe uma força que ajusta o mercado de forma livre, sem a necessidade de pressões do estado, a “mão invisível”. A Teoria do Equilíbrio Geral é um dos pilares da ideologia, segundo a qual o livre funcionamento do mercado, com a flexibilidade de preços e de fatores de produção leva ao ponto de eficiência máxima.

Já o pensamento heterodoxo diverge de forma explícita da abordagem dos ortodoxos, para eles a economia não deve ser compreendida através de modelos “Como não se pode transformar a complexidade das relações econômicas em um modelo anacrônico, o melhor mesmo é não fazer seu uso”. Os economistas ditos heterodoxos, seja de qual corrente, se preocupam mais em humanizar os grandes problemas econômicos, em deixar a formalização matemática em segundo plano, e em defender a multidisciplinaridade entre as ciências sociais para uma melhor observação da vida e da sociedade humana.

Assim se faz a disputa entre economistas, cada qual defendendo o seu lado ferrenhamente, buscando, através do arcabouço teórico que segue levar a economia a um nível de maior desenvolvimento.

Mas existe uma corrente que detêm a verdade absoluta? A resposta possivelmente é não! As linhas de pensamento mostradas no texto apresentam grandes diferenças no modo como veem o mundo, cada uma buscando a melhor forma de solucionar os problemas econômicos da humanidade. Na ciência econômica existem várias verdades, cabe a nós escolher a verdade que melhor cabe a cada situação. Assim, é necessário que o jovem economista se aprofunde nessas questões buscando compreender como se desenrola essa história, tendo grande atenção para o que cada escola defende, escolhendo o pensamento que respeite os conceitos básicos da Teoria Econômica (teoria microeconômica clássica, teoria da macroeconomia keynesiana e os princípios da teoria do desenvolvimento capitalista, que estão de alguma forma presentes em um bom texto de introdução a economia), e que sempre leve em conta as consequências das atitudes tomadas, e como disse Henry Hazlit, "a arte da economia está em considerar não só os efeitos imediatos de qualquer ato ou política, mas, também, os mais remotos; está em descobrir as consequências dessa política, não somente para um único grupo, mas para todos eles".

Rodrigo Daniel Borges de Jesus
Graduando em Ciências Econômicas
Universidade Federal de Goiás - UFG

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Documentário: Surplus

>> terça-feira, 13 de março de 2012

                       “As sociedades de consumo destruíram o meio ambiente, liquidaram milhões de espécies de plantas e animais, envenenaram os mares, rios e lagos, contaminaram o ar, saturaram a atmosfera com dióxido de carbono e outros gases nocivos. Destruíram a camada de ozônio, esgotaram nossas reservas de petróleo, carbono e gás natural e ricas fontes de minerais sólidos. Exterminaram nossas florestas e destruíram as deles. E o que nos sobra? O subdesenvolvimento, a pobreza, a dependência, o atraso, a dívida, a incerteza. Para a sociedade desenvolvida o problema não é crescer, e sim, distribuir, e não só distribuir entre elas, e sim entre todos. O crescimento sustentável que falam não é possível sem uma distribuição justa entre todos os países, para, afinal, a humanidade se tornar uma só família, todos dividindo o mesmo destino. Dada a severa crise atual, nós podemos encarar um futuro ainda pior, no qual jamais resolveríamos as tragédias econômica, social e ecológica de um mundo cada vez mais fora de controle. Alguma coisa tem que ser feita para salvar a humanidade. Um mundo melhor é possível!”
No curso de economia uma das primeiras coisas que aprendemos é a definição de que economia é a ciência que estuda a forma como as sociedades utilizam os recursos escassos para produzir bens com valor e de como os distribuem entre os vários indivíduos. Refletindo isso, estudamos a Lei de Say, um dos pilares da economia ortodoxa até o final da década de 20 e que já foi sintetizada pela expressão “a oferta cria sua própria demanda”. Esse posicionamento foi defendido até a crise de superprodução de 1929, quando foi rebatida por Keynes que defendia que nem tudo o que é ofertado necessariamente terá sua demanda garantida, sugerindo, assim, uma intervenção estatal na economia. Após esses fatos, nas décadas seguintes seguiram várias discussões entre keynesianos e neoliberais acerca dessa intervenção estatal, mas o fato é que nessa época também houve um grande crescimento da produção de bens e serviços acompanhada por um intenso desenvolvimento da propaganda de modo que chegamos na sociedade de consumo contemporânea apontada na citação do começo deste texto.
A citação, é o trecho de um discurso de Fidel Castro, que faz parte da abertura do filme Surplus (Surplus: Terrorized Into Being Consumers, 2003), documentário sueco dirigido pelo italiano Erik Gandini. Surplus em inglês significa excedente, e por esse sentido o documentário pretende analisar essa nossa sociedade no quesito do seu consumismo. Apresentando de uma forma dinâmica, com um jogo de imagens e sons, Erik Gandini faz um documentário interessante que não perde o ritmo ao longo dos seus 50 minutos prendendo a atenção de quem assiste. Frases como “nós não podemos deixar que os terroristas atinjam o objetivo de aterrorizar nossa nação até o ponto em que as pessoas não comprem”, dita pelo ex-presidente americano George Bush em um discurso, é usada e abusada para caracterizar nossa sociedade. Até o processo de fabricação de real dolls é apresentado, como se quisesse mostrar que até algo excêntrico e bizarro como isso faz parte da demanda da sociedade.
Aprofundando mais na questão, o documentário aborda todo o mecanismo que garante o consumismo, como por exemplo, a ideologia difundida de que a tecnologia é uma ferramenta para a aproximação das pessoas, discurso esse que acaba sendo utilizado para o desenvolvimento de mais e mais produtos que serão os novos aparelhos indispensáveis do momento. Ressalta-se, assim, todo o poder da propaganda que existe nos dias de hoje. Propaganda essa que é realizada não só pelas empresas mas também pelos governos que precisam garantir que a economia do país continue funcionando em pleno vapor.
Sendo assim, a ideia de que o que é ofertado não necessariamente tem sua demanda garantida chega a ser questionada com o tamanho da força dessa propaganda nos dias de hoje. É difícil dizer que um computador não é uma necessidade básica para um adulto, adolescente e até mesmo uma criança. O estilo de vida é criado ou redefinido. Quantas vezes deixamos de nos alimentar bem ou dormir direito para realizar algo do trabalho/estágio ou da faculdade? E tudo isso para quê? Para garantirmos uma estabilidade financeira futura que nos permita estabelecer na sociedade, ou em outras palavras, que possamos comprar ou fazer o que quisermos. O conceito do que é necessidade básica para as pessoas é constantemente alterado ao longo do tempo. Não precisamos simplesmente nos alimentar, precisamos nos alimentar de tal forma, comer tal marca de produto, em tal quantidade e assim por diante.
Porém o filme não apenas retrata essa influência externa sobre os hábitos das pessoas; ele também procura analisar o comportamento humano. Em contrapartida à sociedade que estamos acostumados, apresenta-se o ideal que se mantém em Cuba, onde vemos outdoors espalhados com a recomendação/imposição “consuma somente o necessário”. Em seguida nos é apresentado o depoimento de uma cubana que viajou a Europa certa vez e ficou chocada e maravilhada com a quantidade e variedade de alimentos e produtos que era ofertado. O seu comportamento ao descrever todo o seu encanto com a experiência é algo que choca, assemelhando-se a uma criança diante de um brinquedo novo ou até mesmo a um dependente químico. Nesse ponto cabe uma discussão: esse consumismo todo é resultado de uma propaganda forte e eficiente, ou tudo isso é resultado de uma tendência natural do ser humano por querer sempre mais, pela fartura, pela diversificação?
Ainda um outro ponto analisado pelo documentário é a preocupação de até onde a sociedade e o planeta irão chegar com todo esse consumismo. Como podemos ver na citação do início do texto, são apresentadas as externalidades negativas. Todo esse processo de produção intenso gera poluição, esgotamento de recursos, além da exclusão social e prejudica o crescimento de países subdesenvolvidos
Enfim, abordando o tema do consumismo através de diversas nuances, o documentário apresenta várias questões que devemos considerar nos nossos estudos e análises econômicas, tanto no âmbito microeconômico como no macroeconômico. Se o filme pode parecer para alguns uma argumentação unilateral sobre o consumismo, temos toda nossa sociedade, em que crescemos e fomos educados/condicionados, para gerar os argumentos contrários. Sendo assim, podemos dizer que, como o filme provavelmente não irá mudar radicalmente nosso comportamento e pensamento, provavelmente ele nos seja útil para sermos receptivos a um novo ponto de vista, não apenas como estudantes de economia, mas também como indivíduos integrantes da sociedade.

O documentário pode ser visto na integra e legendado no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=YbpmWeymWWw



Erick Rodrigo da Mota
Graduando em Ciências Econômicas
Universidade Federal de Goiás

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PODER, TERROR PAZ E GUERRA - OS ESTADOS UNIDOS E O MUNDO CONTEMPORÂNEO SOB AMEAÇA

>> quarta-feira, 7 de março de 2012


Abrindo o tema de literatura econômica no Blog Corecon Acadêmico, começamos não com um livro sobre economia propriamente dito, mas sobre política. As ações de política externa dos países definem a relação com outros países, aliados ou adversários, tratados internacionais e assuntos de relevância para a comunidade internacional e população local, principalmente, levando em consideração o desenvolvimento econômico, segurança nacional e os interesses da nação.

Em Poder, Terror, Paz e Guerra: Os Estados Unidos e o Mundo Contemporâneo Sob Ameaça, Walter Russel Mead, analista da política externa norte-americana, aponta mudanças na dinâmica capitalista, da transição do modelo fordista para o ‘’capitalismo do milênio’’ e as ações externas do governo norte-americano diante desta transição.

O capitalismo fordista do pós-Segunda Guerra é pautado pelas intervenções estatais, produção e consumo em massa, presença de monopólios e oligopólios; enquanto o milenismo ou capitalismo do milênio, defende  a livre competição, o individualismo;

Frente a esta transformação nas estruturas do sistema os Estados Unidos, defende Mead, foram capazes de melhor se adaptar às mudanças. Chegamos aqui a um ponto interessante, à medida que os poderes econômico e militar norte-americano crescem dada a nova conjuntura política internacional, cresce também o antiamericanismo dos opositores que mais sofrem danos devidos a esta transição. O autor diz da manutenção do poder não-coercitivo - chamado de poder encantador - o poder ideológico-cultural, que impulsiona os agentes a desejar os mesmo objetivos da nação norte-americana. A interação ente os poderes econômico – poder pegajoso; militar – poder vigoroso; estes poderes de ação coercitiva, que forçam os agentes agirem da maneira desejada, juntamente com o poder encantador, trariam aos Estados Unidos a hegemonia em definir a agenda de assuntos de interesse global.

Os atentados de 11 de Setembro abalaram as bases políticas norte-americanas, o símbolo do comércio mundial caiu por terra mostrando as fragilidades do país. Os argumentos do governo Bush para deflagrar a guerra contra o Iraque foram a preocupação de Saddam Hussein supostamente ter posse de armas de destruição em massa, sendo que não encontradas fragilizou a imagem do governo frente a opinião pública; uma declaração aos opositores do Oriente-Médio, que qualquer ataque ou impedimento aos interesses nacionais seriam duramente oprimidos; e uma possível ‘’reconstrução’’ da região, com o Iraque sendo a primeiro Estado democrático árabe, levando os outros países ao mesmo, afinal ‘’o progresso econômico e a liberdade democrática são contagiosos’’.

As diferentes correntes ideológicas da política dos Estados Unidos defendem estratégias diferentes para a manutenção do país como atuante e líder de alianças internacionais. Qual está certa ou errada, não nos cabe definir no momento, devemos primeiro buscar entender como funcionam.

Walter Russel Mead incita o leitor ao debate da nova relação dos Estados Unidos com o mundo em plena transformação do sistema capitalista.


Victor Paulo Archanjo de Paiva
Graduando em Ciências Econômicas
Universidade Federal de Goiás

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O Mágico de Oz e a economia norte-americana do século XIX

>> sexta-feira, 2 de março de 2012

Através desse espaço iremos apresentar curiosidades relacionadas a essa abrangente e intrigante ciência que é a economia. Fatos históricos, recentes, sociais, culturais, entre outros que de tão curiosos nem poderíamos imaginar ou que mesmo depois de ouvir ainda assim pareceria irreal. Dessa forma, além de aprendermos um pouco mais iremos inevitavelmente entretermos em alguns minutos de leitura.

Começamos por uma curiosidade que talvez alguns estudantes de economia, leitores de Mankiw, conheçam. Sempre temos aquelas obras literárias, filmes ou qualquer outro meio de entretenimento que vimos em algum momento do passado e que nos marcou ou que pelo menos nos divertiu bastante em certa época. O que acontece é que vez ou outra esses livros e filmes, que nos podem parecer tão infantis, ou ingênuos, na verdade contêm em si uma inspiração ou referência a fatos reais ou ideologias que nem sempre percebemos, a não ser talvez no nosso subconsciente.

A “Revolução dos bichos” de George Orwell é uma alegoria ao processo revolucionário da União Soviética, porém esse é obviamente o sentido do livro. Em outros casos a inspiração ou a referência fica tão implícita na história que nem sempre conseguimos perceber. Você sabia, por exemplo, que a trilogia Matrix tem uma forte influência da filosofia de Descartes e Platão? Os jogos de lógica de Alice No País das Maravilhas escrito pelo matemático e lógico Lewis Carroll. A temática cristã de Crônicas de Nárnia, do apologeta cristão, C.S. Lewis . Enfim são vários casos interessantes, mas o que nos interessa aqui é a relação do livro “O Mágico de OZ” com a situação econômica dos EUA na segunda metade do século XIX.

História do livro: Dorothy é uma doce e meiga menina que vive em uma fazenda no Kansas, onde após um tornado na região vai parar junto com seu cachorro e sua casa no fantástico mundo de OZ. Acidentalmente sua casa cai em cima da bruxa má do leste despertando a fúria de sua irmã, a bruxa má do oeste. Com a ajuda da bruxa boa do norte ela ganha os sapatos de prata da bruxa do leste (que no filme de 1939 é substituído por sapatos de rubi, que acabaram ficando famosos) cobiçados por sua irmã malvada. Desejando retornar para sua vida no Kansas, Dorothy deve partir para o leste seguindo a estrada de tijolos amarelos para encontrar o Mágico de Oz, que pode lhe ajudar. Nessa jornada ela encontra um espantalho que quer ter um cérebro, o homem de lata que deseja um coração e o leão que queria ter coragem. Assim partem todos juntos em busca do mágico.

Situação econômica dos EUA no final do século XIX: com o recente desbravamento do oeste americano os fazendeiros da região estavam endividados com os banqueiros do leste. Soma-se a isso o avanço tecnológico da época que encareceu a produção e ocasionou a queda do nível de preços pelo aumento da oferta. Assim os fazendeiros começaram a apoiar a ideologia política de mudar os EUA do sistema padrão-ouro (defendido pelos banqueiros do leste) para o sistema padrão bi-metal (ouro e prata), pois na época a quantidade de dinheiro correspondia ao volume de ouro que o país possuía, e com a mudança aumentariam a moeda em circulação e forçariam o aumento dos preços. Um dos políticos que defendia a mudança era o senador Willian Jennings Bryant.

Com esse cenário formado, o jornalista L. Frank Baum escreveu o Mágico de OZ como uma metáfora a toda essa situação onde defende a posição dos fazendeiros do oeste: Dorothy representa os valores americanos tradicionais; o espantalho representa os agricultores; o homem de lata os trabalhadores da indústria; o leão covarde é Willian Jennings Bryant; OZ é a abreviação da palavra inglesa ounce (onças de ouro) e o mágico de OZ representa os banqueiros do leste. Com os sapatos de prata da história original Dorothy vai seguindo a estrada de tijolos amarelos (ouro) para completar sua jornada (prata pisando sobre o ouro). Ao final, ela e seus novos amigos descobrem que o mágico de OZ é uma fraude, ou seja, o sistema padrão ouro é uma fraude. O espantalho ganha um cérebro, o homem de lata ganha coração e não irá mais enferrujar (não haverá desemprego), o leão ganha coragem (incentivo a Willian Jennings que não tinha muita força) e Dorothy volta para casa graças aos seus sapatos de prata.

Como se sabe, no final do embate resultou que os banqueiros do leste ganharam a briga permanecendo o padrão-ouro. Porém a história permaneceu até se tornar o filme em 1939 que inclusive já foi considerado um dos 10 melhores filmes já feitos. Alguns estudiosos defendem que “O Mágico de OZ“ é um simples livro infantil, mas é difícil admitir que essa visão não faça sentido. De qualquer forma é um caso realmente interessante, e que inclusive nos abre até mais uma perspectiva a nós, futuros economistas: quem sabe um dia não podemos usar o nosso conhecimento sobre economia e fazer uma análise diferente e inusitada da atualidade assim como fez L. Frank Baum?


Erick Rodrigo da Mota
Graduando em  Ciências Econômicas
Universidade Federal de Goiás

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O quê o economista faz?

>> sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Por que Economia? Afinal, quem faz economia é para aprender a economizar? Em que os economistas trabalham? Estas são as perguntas mais freqüentes para estudantes de economia e para economistas, feitas por aspirantes do curso ou apenas curiosos.

Os pensamentos de um jovem em idade de finalmente responder aquela velha pergunta: - O que você quer ser quando crescer? O momento chegou, rodeiam as mais diversas profissões e se deparam com novas questões, dessa vez feitas por ele mesmo como:
 Quanto vou ganhar? Serei bem sucedido? Como serei visto pela sociedade?

Vamos tentar esclarecer um pouco estas questões, afinal, somos alunos de economia falando para outros alunos, ou futuros alunos deste curso de ciências sociais aplicadas que é amplo em abordagem e rico em conteúdo.

Economia, ou atividade econômica, consiste na produção, distribuição e consumo de bens e serviços. O termo economia vem do grego oikonomos (de oikos, 'casa' + nomos, 'costume ou lei', ou também 'gerir, administrar': daí "regras da casa" ou "administração doméstica".) Como ciência social, são estudadas matérias de cunho histórico e teórico para entendimento dos processos de mudanças socias, no entanto, é necessário também, conhecimento matemático e estatístico para o manuseio e aplicação das informações teóricas.

Em relação ao profissional que será e quanto vai ganhar haverá uma série de fatores influenciando: se gosta do que faz, se a economia está acelerada ou desacelerada, qual ramo da ciência econômica está melhor no momento e o que está sendo influenciado, qual a política adotada no campo econômico etc.

Áreas de Atuação: 
As áreas de atuação do economista são muitas, oferecendo ao estudante amplas opções de carreira. Vamos mostrar algumas opções para que possa conhecer um pouco mais onde você, futuro profissional de economia poderá atuar:

Análise de conjuntura econômica e pesquisas
Consultoria e assessoria

Assessoria de projetos agroindustriais / agronegócio

Criação de projetos para obtenção de financiamentos
Desenvolvimento de projetos de infra-estrutura

Orientação em comércio exterior

Elaboração de estudos mercadológicos
Orçamentos
Professor
Perícia
Arbitragem judicial

Economia de empresas
Elaboração da viabilidade econômica de projetos
Entidades de classe

Consultoria em fusão, aquisição e incorporação de empresas

Recálculo de contratos
Estudo e orientação de viabilidade econômica de novas empresas
Desenvolvimento e planejamento econômico

Mercado financeiro
Orientação financeira
Setor público

Caro acadêmico de economia, com este texto mostramos a você a grandiosidade da ciência econômica, a carreira e o proeminente futuro profissional que está a sua frente. Em outros textos detalharemos as diversas áreas citadas.


Marizélia  Ribeiro
Graduanda em Ciências Econômicas
Universidade Federal de Goiás

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A TEORIA ECONÔMICA – UMA INTRODUÇÃO

>> quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012


Resumo: Artigo que abre a seção TEORIA ECONÔMICA do BCA (Blog CORECON Acadêmico) no qual são expostos os conceitos básicos da área e as subdivisões que existem no estudo das Ciências Econômicas, encerrando com uma citação do professor Sandro Monsueto, coordenador do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Goiás - UFG.

Frequentemente, os economistas e até mesmo nós estudantes de Economia, nos deparamos com perguntas relacionadas à Economia e que se iniciam com termos como “O que você acha...”, “Será que no futuro...”, porém, diferentemente do que estas perguntas indicam, seja por ignorância, ou pelo uso errôneo dos termos, o estudo das Ciências Econômicas não se baseia em “achismos” e previsões de futuros baseadas em opiniões sem fundamentos.

A Economia, como qualquer outra ciência, baseia-se em métodos científicos próprios, tendo como objeto de estudo, segundo uma visão mais tradicional, a escassez; porém, vou além e digo que temos como objeto de estudo não a escassez, mas a riqueza, porque não estudamos como dividir a escassez entre os agentes econômicos, mas sim como distribuir a riqueza entre eles, seja esta na forma de bens ou de serviços. Da escassez só nos interessa sua ausência.

Essa “gestão da riqueza” da qual trata a Economia, baseia-se como citado supra, em métodos específicos. Tais métodos se baseiam no estudo da TEORIA ECONÔMICA, a qual se divide em duas grandes áreas: a Microeconomia e a Macroeconomia. 

A Microeconomia estuda os componentes individuais do mercado – as famílias e as empresas. Nesse mercado, as famílias ofertam sua mão de obra e demandam os produtos e serviços das empresas enquanto do outro lado as empresas ofertam seus produtos e serviços e demandam a mão de obra das famílias, ou seja, ambos têm sua oferta e sua demanda.

O estudo da Microeconomia subdivide-se em Teoria da Firma – que cuida de explicar a oferta e a demanda de bens e serviços por parte das empresas -, Teoria do Consumidor – explicando o comportamento e o que leva o consumidor a consumir e a ofertar – e a Teoria da Produção – caracterizada pela forma pela qual a indústria transforma os insumos em produtos. Aplicações da Microeconomia podem ser vistas nas decisões de produção e de alterações de preço de uma empresa qualquer, nas nossas decisões de consumo e na concorrência entre as empresas.

A outra grande área da Economia, a Macroeconomia, estuda os agregados econômicos, (desemprego, inflação e produção, por exemplo), sendo associada erroneamente por alguns como o único objeto de estudo da Economia, dado que é mais discutida na mídia se comparada à Microeconomia. Mais do que uma soma de vários componentes individuais do mercado, a Macroeconomia, explica como os mercados se relacionam entre si, dando base para o entendimento de variáveis que como o câmbio, por exemplo, permitem o relacionamento entre mercados distintos, nesse caso os mercados internacionais.

A Macroeconomia também estuda os mercados, e a sua subdivisão refere-se aos mercados por ela estudados. São eles: Mercados de Bens e Serviços – entendidos como a soma dos mercados estudados na Microeconomia, determinando a produção total (agregada) de bens e serviços, bem como seus preços; o Mercado de Trabalho, onde há oferta de mão de obra e a demanda por ela, definindo o nível de emprego e os salários pagos aos trabalhadores; o Mercado Monetário, onde é estudada a oferta de moeda pelo Banco Central e a demanda pelos agregados econômicos; o Mercado de Títulos, no qual há a transferência, através da poupança e do investimento, de renda dos agentes superavitários – que possuem renda sobrando – para os agentes deficitários – que necessitam de renda e; o Mercado de Divisas, também chamado de Mercado de Câmbio no qual há o comércio de moedas estrangeiras.

Mas nem só de Microeconomia e Macroeconomia são formados os economistas, para o estudo destas duas grandes áreas da Economia, são necessários números e fatos, utilizando-se respectivamente de métodos matemáticos e históricos. O estudo de matérias matemáticas, tais como o Cálculo e a Estatística, servem como base tanto diretamente para as duas grandes áreas, quanto para os métodos específicos em Economia que são a Economia Matemática – também chamada de Engenharia Econômica – e a Econometria. Enquanto a Economia Matemática é vista em matérias como Matemática Aplicada, Matemática Financeira  a própria Economia Matemática, esta última com menos frequência, o estudo da Econometria tem como base os conceitos estatísticos e matemáticos para provar empiricamente a teoria econômica, sendo a Econometria também considerada parte do núcleo base da maioria dos cursos.

Também com grande importância na Economia estão as áreas de cunho histórico, as quais se preocupam em estudar os fatos e os pensadores da Economia, os quais possuem um arcabouço enorme de fatos que servem também, juntamente com a teoria, como exemplos, favoráveis ou não, às decisões econômicas atuais. Estudando os pensadores, percebemos como foi até que se formasse a teoria econômica aceita atualmente. Os fatos nos mostram o que fizeram de certo e de errado os gestores de políticas econômicas e como as economias do passado reagiram no decorrer da história aos comportamentos dos agentes econômicos.

Grande importância recebe também as Finanças quando o assunto é Economia. Confundida com Economia, mas na verdade distintas, as Finanças se mostraram aliadas fiéis aos indicadores econômicos, dado que funcionam como termômetro da situação econômica de um período e até mesmo como reflexo dela. Com o crescimento desta área, cada vez mais, os cursos de Economia vêm incluindo em sua grade disciplinas como Mercado de Capitais, Introdução a Finanças e Gestão Financeira.

Para terminar é preciso deixar claro que a divisão de cunho teórico não ocorre exatamente na prática, dado a dinâmica da Economia como um todo que exige cada vez mais conhecimentos interdisciplinares. Segundo o Professor Sandro Monsueto, Coordenador do Curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Goiás, “Ao graduando do curso de ciências Econômicas essas áreas são, na maior parte das vezes, oferecidas em disciplinas específicas, mas que com frequência fazem referência direta e indireta uma com a outra, como peças de um quebra cabeças maior. A plena noção dos fenômenos econômicos e, talvez mais importante, a compreensão de seus efeitos sobre a sociedade, só ocorre quando todas as partes são unificadas e analisadas.”


Marcos Eduardo de Souza
Graduando em Ciências Econômicas
Universidade Federal de Goiás - UFG






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